Quando Alírio Netto senta ao piano, pode ter certeza: lá vem pedrada. E não deu outra.
O Angra abriu o seu primeiro show da turnê comemorativa do Holy Land em São Paulo já tirando da frente a música mais pedida. A apresentação começou com uma sequência que celebrou todas as fases da banda, com Carry On, Tide of Changes e Waiting in Silence. Ali, se alguém ainda questionava se Alírio deveria ter assumido o posto deixado por Fabio Lione, as dúvidas foram sanadas.
A primeira surpresa do repertório foi logo na quarta música do show, quando Alírio começou a tocar piano e colocou sua skin de vocalista do Queen Extravaganza. A sequência nas teclas foi de The Show Must Go On com a música declarada como favorita por vários integrantes da banda Silence and Distance.
Foi ali que Alírio fez o que diz ser sua meta de vida: emprestou-se para a arte e emocionou as pessoas com a sua voz.
O respeito à fidelidade do repertório do Angra clássico foi um dos pontos altos do show. Nem quando a banda tinha Kiko Loureiro na guitarra os solos foram tocados com a fidelidade ao material original como fez Marcelo Barbosa.
Bruno Valverde cumpriu a difícil missão de tocar as músicas do Holy Land, que tem parte considerável da sua personalidade vindo das baquetas de Ricardo Confessori, hoje em carreira solo.
Rafael Bittencourt, o único membro original do Angra, não só tocou sua guitarra com virtuosismo, como também cantou alguns trechos de músicas e até mesmo a canção de ninar inteira do Holy Land, a Lullaby for Lucifer.
Para tocar músicas emblemáticas do álbum, subiu ao palco outro membro da formação original do Angra. O baixista Luís Mariutti apareceu no Tokio Marine Hall sem barba. “Jesus tirou a barba”, brincou Rafael.
Mariutti levou seu estilo forte e marcante de tocar baixo a músicas como Nothing to Say e Carolina IV. Com muito batuque, Carolina foi uma grande jornada em seus quase 10 minutos de duração, esticados por Alírio agitando o público em uma das faixas.
Em mais um mergulho no passado e um novo certificado da qualidade musical de Alírio Netto, o Angra tirou da cartola o clássico do álbum Angels Cry: Wuthering Heights. A canção de Kate Bush causou grande alvoroço no público, que raramente vê essa música no setlist.
A noite terminou com a alegre Nova Era, que celebrou o novo momento da banda, pouco antes precedida por Rebirth, outra música importante e muito simbólica para uma banda 35 anos que precisou se reinventar diversas vezes. Deu tudo certo.
Andre Matos estaria orgulhoso da performance de Alírio Netto e de ver que as músicas compostas no sítio no começo dos anos 1990 ainda são muito importantes para tanta gente.











Set list do Angra no Tokio Marine (2 de outubro 2026)
Unfinished Allegro
Carry On
Tide of Changes – Part I
Tide of Changes – Part II
Waiting Silence
The Show Must Go On (Queen cover)
Silence and Distance
Play Video
Holy Land
Angels and Demons
Deep Blue
Wuthering Heights (Kate Bush cover)
Z.I.T.O.
Stand Away
The Shaman
Lullaby for Lucifer (Rafael Bittencourt, voz e violão)
Rebirth
Nothing to Say (com Luis Mariutti)
Make Believe (com Luis Mariutti)
Bis:
In Excelsis
Nova Era
Gate XIII