O power metal brasileiro tem uma história forte o suficiente para criar uma sombra sobre qualquer banda que decida seguir esse caminho. Depois de nomes como Angra, Shaman, Hibria e tantos outros, reproduzir a mesma fórmula de velocidade, vocais melódicos, guitarras virtuosas e refrões grandiosos dificilmente é suficiente para chamar atenção.
É justamente por isso que o Auro Control merece ser ouvido com atenção. Formada na Bahia em 2021, a banda parte do power metal, mas acrescenta elementos de metal progressivo, arranjos sinfônicos e, principalmente, percussões e referências da música brasileira, criando uma sonoridade que procura ir além da fórmula tradicional do gênero.
O resultado aparece com clareza em The Harp, álbum de estreia lançado em 2024. O disco combina velocidade, melodias e virtuosismo com momentos em que a percussão ganha protagonismo. Em faixas como “Breaking Through Silence”, por exemplo, a presença desses elementos brasileiros ajuda a criar uma identidade que se distancia do power metal mais previsível.
Lucas de Ouro é um dos grandes trunfos
Se a sonoridade chama atenção, Lucas de Ouro é outro motivo para acompanhar a banda. O vocalista e fundador do Auro Control apresenta potência, extensão e precisão. A banda consegue reproduzir no palco, com fidelidade, aquilo que foi registrado em estúdio — algo que nem sempre acontece com novas bandas.
A voz de Lucas também permite que o grupo transite entre diferentes momentos sem ficar preso a uma única abordagem. Há espaço para interpretações mais agressivas, passagens melódicas e refrões grandiosos, algo fundamental em uma banda que trabalha com uma sonoridade tão carregada de elementos.
Não por acaso, o cantor também chamou atenção internacionalmente antes mesmo do lançamento de The Harp. Em entrevista à Chaoszine, Lucas falou sobre o processo de criação do álbum e sobre a proposta de fazer uma música que fosse, ao mesmo tempo, ousada, rápida e complexa.
“The Harp” colocou a banda no mapa
O primeiro álbum também ajudou a ampliar rapidamente o alcance do Auro Control. The Harp foi lançado internacionalmente pela Avalon Records, no Japão, Rockshots Records, na Europa e Estados Unidos, e Metal Relics no Brasil. O disco ainda reúne convidados de peso, como Jeff Scott Soto, Aquiles Priester, Felipe Andreoli, Fábio Laguna e Thiago Bianchi.
As participações, entretanto, não funcionam apenas como uma coleção de nomes conhecidos. “Not Alone”, por exemplo, traz Jeff Scott Soto nos vocais, enquanto Aquiles Priester participa de “Rise of the Phoenix” e Felipe Andreoli aparece na faixa-título. O álbum também conta com percussões de André Magalhães e participações de cantores da cena metálica baiana.
Outro aspecto interessante está nas letras. The Harp aborda temas como luto, depressão, conflitos internos e superação, acrescentando uma dimensão mais reflexiva ao repertório.
Uma banda para acompanhar
O Auro Control ainda está no começo de sua trajetória, mas já conseguiu algo que costuma ser difícil para uma banda nova: ter elementos reconhecíveis próprios.
É possível identificar referências de Angra, Helloween, Stratovarius e Dream Theater em The Harp, e a própria resenha do Road to Metal aponta essas influências. Mas são justamente as passagens em que o grupo incorpora percussão brasileira, elementos progressivos e diferentes texturas que sua personalidade fica mais evidente.
A banda também vem ampliando sua presença nos palcos. Em 2025 e 2026, passou por diversas cidades brasileiras em turnê ao lado de Edu Falaschi e Noturnall, e em julho de 2026 lançou um vídeo ao vivo de “Conception”, registrado na Ópera de Arame, em Curitiba.
Mais recentemente, o Auro Control recuperou “Inside the Mirror”, faixa que havia aparecido originalmente como bônus da edição japonesa de The Harp. O lançamento ganhou um novo lyric video em setembro de 2026 e mostra um lado mais contemplativo da banda, com uma letra voltada para memória, medo, transformação e confronto interior.
Para quem gosta de power metal, mas procura bandas que tenham algo a dizer além de velocidade, solos e refrões épicos, o Auro Control é um nome que vale colocar no radar. The Harp mostra uma banda tecnicamente preparada, um vocalista de destaque e, principalmente, uma tentativa clara de construir uma identidade própria dentro de um gênero no qual é fácil soar como apenas mais um.