A família de Brent Hinds, guitarrista e vocalista fundador do Mastodon, divulgou um novo comunicado para esclarecer os motivos que levaram o espólio do músico a processar a banda. Segundo os representantes de Hinds, a ação judicial não se limita ao uso da imagem do artista na capa de Marrow Deep, novo álbum do grupo, mas envolve também interesses comerciais que ele mantinha em empresas relacionadas ao Mastodon.

Hinds deixou o Mastodon em março de 2025, após 25 anos como integrante da banda, e morreu cinco meses depois, aos 51 anos, em um acidente de motocicleta em Atlanta. De acordo com o processo, o músico ainda não havia concluído a separação de seus interesses comerciais no grupo quando morreu.

No novo comunicado, enviado à Guitar World, o espólio afirma que Brent havia buscado uma prestação de contas, uma avaliação e uma separação organizada das participações que mantinha em empresas pertencentes aos membros fundadores do Mastodon. Esse processo, segundo os representantes, não havia sido concluído antes da morte do músico, que também não teria recebido compensação por essas participações.

A questão do cheque de US$ 80 mil

A disputa envolve também um cheque de US$ 80 mil que, segundo o processo, teria sido enviado pelo Mastodon como parte da compra da participação de Hinds nos negócios relacionados à banda. O espólio afirma que o músico não havia assinado o acordo que estabelecia os termos da separação e que o valor oferecido não vinha acompanhado de uma prestação de contas capaz de demonstrar como a quantia havia sido calculada.

Por esse motivo, os representantes de Hinds afirmam que o objetivo é determinar exatamente quais eram os interesses comerciais do guitarrista e quanto efetivamente deveria ser pago ao seu espólio.

O comunicado também destaca uma questão relacionada às receitas de merchandising do Mastodon. Segundo os representantes, a discussão jurídica envolve saber se a saída de Brent da banda encerrou também seu direito — agora pertencente ao espólio — de participar das receitas provenientes de produtos licenciados relacionados ao grupo.

Imagem de Brent aparece em Marrow Deep

O uso da imagem de Hinds em Marrow Deep é outro ponto mencionado no processo. O álbum, lançado em 28 de agosto de 2026, é o primeiro disco do Mastodon gravado sem a participação do guitarrista.

A capa apresenta três figuras inspiradas nas Moiras da mitologia grega. Em uma delas, entre uma série de crânios, aparece uma imagem que remete ao rosto de Brent Hinds. A arte também faz referência a Michele Jeanne Lawrence, mãe do baterista e vocalista Brann Dailor, que morreu em 2025.

O espólio questiona a utilização da imagem de Brent para promover e comercializar um álbum do qual ele não participou. Segundo os representantes, o fato de o Mastodon utilizar a imagem do músico comercialmente demonstra que ele continua tendo relevância para a marca, mesmo após sua saída e morte.

O comunicado, porém, ressalta que a família não pretende transformar a disputa em uma campanha contra os integrantes do Mastodon. Os representantes afirmam que o processo não tem como objetivo fazer o público tomar partido ou questionar o luto dos músicos.

Mastodon nega acusações

Os integrantes remanescentes do Mastodon — Troy Sanders, Bill Kelliher e Brann Dailor — negaram as acusações feitas pelo espólio. Em comunicado divulgado anteriormente, a banda classificou o processo como “sem mérito” e afirmou que pretende se defender vigorosamente. O grupo também declarou que não pretende continuar discutindo publicamente o assunto por considerar que isso não honraria a memória de Brent nem seu legado musical.

O processo também envolve declarações feitas pelos integrantes no documentário The Mastodon In The Room, lançado antes de Marrow Deep. Na produção, os músicos falaram sobre os problemas que teriam levado à saída de Hinds e mencionaram questões pessoais relacionadas ao guitarrista. O espólio questiona a divulgação dessas informações, alegando que se tratava de aspectos da vida privada de Brent que ele havia escolhido manter em sigilo.

A ação foi apresentada no Tribunal do Condado de Fulton, na Geórgia, em 3 de setembro. Até o momento, não há decisão judicial sobre as reivindicações apresentadas pelo espólio, e as alegações das duas partes ainda fazem parte de uma disputa em andamento.