Foi quando Roy Khan cantou músicas do Kamelot no show feito em conjunto com Edu Falaschi em São Paulo, no ano passado, que o cantor noruguês percebeu a importância que as músicas que a banda gravou com a sua voz ainda têm para o público brasileiro. Roy Khan se apresentará no Carioca Club (Pinheiros) em 17 de outubro na turnê “The Black Halo And Beyond” (ingressos aqui).
“Eu sabia que o álbum significava muito para as pessoas, mas senti essa conexão pessoalmente quando me apresentei com o Edu. Quando cantei “Center of the Universe” e vi a reação do público, percebi o quanto aquelas músicas ainda estavam vivas para os fãs”, diz Khan, em entrevista ao RockRadar.
O cantor também falou sobre os cuidados com a sua voz, sua visão sobre o uso de inteligência artificial na música e sobre Adrienne Cowan, cantora do Seven Spires, com quem já fez participações em shows e discos.
A turnê de Khan conta com músicas do álbum The Black Halo, mas também do Conception e de músicas da sua carreira solo — canções que ainda estão em preparação.
Leia a entrevista na íntegra a seguir.
Podemos esperar músicas do Conception e da sua carreira solo no repertório do show em São Paulo?
“The Black Halo” é o ponto de partida desta turnê, mas o “and Beyond” no título está lá por um motivo. Há músicas de várias fases da minha carreira que gosto muito de cantar, e quero que o show abra espaço para elas. O Conception ainda é uma parte importante da minha vida, e também estou trabalhando em músicas para o meu projeto solo. Quanto ao repertório exato, gostaria de guardar algumas surpresas para São Paulo.
Qual é a sua opinião sobre o público brasileiro? Você já sabia que o álbum “The Black Halo” ocupava um lugar tão especial na memória deles, ou percebeu isso ao se apresentar ao lado de Edu Falaschi?
Eu sabia que o álbum significava muito para as pessoas, mas senti essa conexão pessoalmente quando me apresentei com o Edu. Quando cantei “Center of the Universe” e vi a reação do público, percebi o quanto aquelas músicas ainda estavam vivas para os fãs. O público brasileiro demonstra seu carinho de uma forma muito intensa. Aquela noite em São Paulo foi fundamental para despertar em mim a vontade de cantar esse material novamente.
Quais são as suas expectativas para o show em São Paulo e quais convidados subirão ao palco com você?
São Paulo significa muito para mim. Foi lá, durante o show do Edu Falaschi, que senti o desejo de cantar essas músicas novamente. Estou ansioso para voltar com a turnê *The Black Halo and Beyond* e reencontrar o público brasileiro.
Para a turnê sul-americana, terei a companhia de Zoë Marie Federoff (vocais), Caio Kehyayan (guitarra), Fábio Caldeira (backing vocals), Charles Soulz (teclados), Chris Oliveira (bateria) e Renato Montanha (baixo). A banda Maestrick também se apresentará em São Paulo como convidada especial.
Existe alguma música do Kamelot que você passou a ver de forma diferente depois de deixar a banda?
“Abandoned” é uma delas. Sempre foi uma música muito pessoal para mim, embora faça parte da história contada em *The Black Halo*. Hoje, depois de tudo o que vivenciei, encontro sentimentos diferentes nela. A música é a mesma, mas eu sou uma pessoa diferente. Isso muda a maneira como a canto.
O que você considera mais desafiador ao interpretar uma música: acertar uma nota específica ou transmitir uma emoção específica?
Uma nota difícil exige técnica e preparação. Você trabalha nela para conseguir cantá-la com segurança, noite após noite. A emoção é menos previsível. Você pode acertar todas as notas e, ainda assim, sentir que falta algo. Para mim, o maior desafio é estar totalmente presente na música e permitir que o público sinta a história que estou contando.
Sua voz continua em excelente forma. Que tipo de cuidados e treinamentos você adota para conseguir cantar músicas gravadas há quase vinte anos?
Obrigado. Conheço melhor a minha voz agora e tento prestar atenção ao que ela me diz. A preparação para os shows, o descanso adequado e o respeito pelo tempo necessário entre as apresentações — tudo isso é importante. Além disso, não tento reproduzir exatamente o cantor que eu era há vinte anos. Quero fazer jus a essas músicas com a voz e a experiência que tenho hoje.
Se uma IA pudesse replicar perfeitamente a sua voz, você consideraria isso uma ferramenta artística ou uma ameaça à identidade de um cantor?
Acho que a diferença está em saber se o artista concordou com isso e como a tecnologia é utilizada. Ela pode abrir possibilidades criativas, mas reproduzir o som de uma voz não é o mesmo que interpretar uma música. Há uma pessoa, uma história e uma série de escolhas por trás de cada apresentação. Se alguém usasse minha voz sem o meu envolvimento ou permissão, eu não me sentiria confortável com isso.
Você e Adrienne Cowan, do Seven Spires, já gravaram juntos e fizeram participações especiais nos shows um do outro. Qual é a sua avaliação sobre o trabalho dela como cantora?
A Adrienne é uma cantora incrível. Ela consegue cantar com grande delicadeza e, no momento seguinte, entregar algo tremendamente poderoso. O que mais me impressiona é que a personalidade dela transparece em tudo o que ela faz. Também admiro suas ideias musicais e a energia que ela traz para o palco. É sempre um prazer trabalhar com ela.