Brian May afirmou que o Queen não deverá voltar a fazer turnês. Em entrevista ao jornal britânico The Times, o guitarrista revelou que tomou há cerca de 18 meses a decisão de não voltar a pegar a estrada e afirmou que talvez “50 anos sejam suficientes” para encerrar esse ciclo.
A decisão está relacionada principalmente ao impacto da rotina de turnês sobre sua vida pessoal. May contou que um amigo próximo da família morreu enquanto o Queen estava nos Estados Unidos. Na ocasião, ele cogitou voltar para casa por alguns dias e depois retornar à excursão, mas percebeu que a dinâmica de uma grande turnê não permitia esse tipo de flexibilidade. “Eu adoro tocar, adoro viajar, mas a contrapartida é abrir mão da liberdade”, explicou.
Aos 79 anos, May também destacou que pretende dedicar mais tempo à família e aos projetos relacionados à astrofísica. O músico é doutor na área e afirmou que ainda tem muito trabalho científico que gostaria de desenvolver.
Queen ainda pode voltar aos palcos de outra forma
O fim das turnês não significa necessariamente o fim das atividades do Queen. Brian May e o baterista Roger Taylor discutiram a possibilidade de criar uma experiência diferente para o público, inspirada em parte pelo espetáculo ABBA Voyage, do ABBA.
May também revelou que visitou a Sphere, em Las Vegas, e chegou a esboçar mentalmente um espetáculo imersivo do Queen para o local. A ideia, porém, enfrenta um obstáculo importante: segundo o guitarrista, uma produção desse tipo atualmente dependeria de inteligência artificial, tecnologia sobre a qual ele mantém sérias ressalvas.
A última turnê do Queen + Adam Lambert terminou em fevereiro de 2024, com um show no Tokyo Dome, no Japão. A parceria entre May, Taylor e Lambert começou em 2011 e permitiu que o repertório do Queen continuasse sendo apresentado em grandes arenas após a morte de Freddie Mercury, em 1991.
A declaração de May, portanto, encerra uma possibilidade que vinha sendo mantida em aberto nos últimos anos: a de uma nova grande turnê do Queen. Ao mesmo tempo, a banda ainda considera maneiras de levar sua música aos palcos sem necessariamente repetir o modelo tradicional de uma longa excursão mundial.