Depois de cinco anos de uma das fases mais criativas de sua trajetória, Edu Falaschi lançou nesta sexta-feira (12) MI’RAJ, álbum que encerra a trilogia conceitual iniciada com Vera Cruz (2021) e continuada em Eldorado (2023). O novo trabalho chega como o capítulo final de uma saga que ajudou a redefinir a carreira solo do ex-vocalista do Angra e marca mais um momento importante em um ano que celebra seus 35 anos de carreira.

Mais do que apenas um novo disco, MI’RAJ representa a conclusão de um ciclo que começou quando Edu decidiu reconstruir sua carreira artística após os problemas vocais enfrentados na década passada. O cantor chegou a conviver com limitações que colocaram em dúvida sua capacidade de voltar a interpretar músicas exigentes de seu repertório clássico. Entretanto, ao longo dos últimos anos, recuperou gradualmente sua técnica e confiança, culminando em uma sequência de trabalhos que muitos fãs consideram a melhor fase de sua carreira desde os tempos de Temple of Shadows.

O capítulo final da trilogia

Segundo o próprio Edu Falaschi, MI’RAJ encerra a narrativa iniciada em Vera Cruz e expandida em Eldorado.

Os três álbuns contam uma história ficcional desenvolvida em parceria com o escritor Fábio Caldeira. Enquanto Vera Cruz abordava descoberta e aventura, e Eldorado explorava ambição e conquista, MI’RAJ leva o protagonista Jorge a uma jornada de revelação espiritual e autoconhecimento. Ambientada em territórios do Império Otomano no ano de 1519, a trama aborda conflitos internos, fé, propósito e transformação pessoal.

Musicalmente, o disco mantém a proposta épica dos trabalhos anteriores, combinando power metal, elementos sinfônicos e influências da música tradicional de diferentes culturas. A produção novamente conta com a participação de Dennis Ward na mixagem e masterização, repetindo a parceria que ajudou a moldar a sonoridade de Vera Cruz e Eldorado.

A trilogia que marcou a recuperação artística de Edu

É impossível analisar MI’RAJ sem olhar para o contexto em que essa trilogia foi criada.

Quando Vera Cruz foi lançado em 2021, muitos fãs enxergaram o álbum como um renascimento artístico. Além de ser o primeiro disco solo de inéditas de Edu Falaschi fora do Almah, o trabalho mostrou um cantor recuperando técnicas vocais que haviam sido afetadas por problemas de saúde anos antes. O resultado surpreendeu até mesmo admiradores de longa data.

O sucesso de Vera Cruz abriu caminho para Eldorado, lançado em 2023, que ampliou a ambição narrativa e consolidou uma formação de banda extremamente entrosada, com músicos como Aquiles Priester, Raphael Dafras, Fábio Laguna e Diogo Mafra contribuindo para uma sonoridade cada vez mais refinada.

Agora, MI’RAJ fecha a trilogia justamente no momento em que Edu parece ter alcançado novamente sua melhor forma artística e vocal.

O reencontro com o Angra no Bangers Open Air

O lançamento do álbum também acontece poucos meses após um dos momentos mais marcantes da carreira recente do cantor.

Em abril de 2026, Edu Falaschi participou da aguardada reunião da formação da era Rebirth do Angra durante o Bangers Open Air. O show foi um dos eventos mais comentados do festival e reuniu novamente músicos responsáveis por uma das fases mais populares da história da banda.

Para muitos fãs, a apresentação teve um significado especial. Além do componente nostálgico, o show demonstrou um vocalista plenamente recuperado e confortável diante de músicas extremamente exigentes como “Nova Era”, “Rebirth”, “Heroes of Sand” e “Running Alone”.

O desempenho acabou reforçando uma percepção que já vinha crescendo desde Vera Cruz: Edu Falaschi não estava apenas revisitando o passado. Estava construindo um novo capítulo de sua trajetória.

Uma nova fase após 35 anos de carreira

Em 2026, Edu Falaschi completa 35 anos de carreira profissional. Poucos artistas do metal brasileiro conseguiram manter relevância por tanto tempo, atravessando diferentes fases da indústria musical e reinventando sua própria identidade artística diversas vezes.

A sequência formada por Vera Cruz, Eldorado e agora MI’RAJ talvez seja a maior prova dessa capacidade de reinvenção.

Ao mesmo tempo em que celebra sua história com apresentações especiais e reencontros históricos, o cantor continua produzindo material inédito e ambicioso. O resultado é uma rara combinação entre legado e renovação.

Se a década passada foi marcada por desafios pessoais e profissionais, a atual parece representar algo diferente: a consolidação de uma segunda juventude artística para um dos nomes mais importantes da história do heavy metal brasileiro.

Com MI’RAJ, Edu Falaschi não apenas encerra uma trilogia. Ele reforça a sensação de que ainda tem muito a dizer.