Após mais de 40 anos de carreira, Michael Kiske continua impressionando pela capacidade de alcançar notas agudas com aparente facilidade. O vocalista do Helloween costuma receber perguntas sobre o segredo para manter a voz em tão boa forma e, em entrevista ao canal RockMania, apresentou aquela que considera a principal explicação para sua longevidade vocal.
Segundo o cantor, a resposta não está em um cuidado especial ou em uma rotina fora do comum, mas na forma como cada vocalista utiliza sua própria voz.
“Cante da maneira que é natural para a sua voz”
Kiske contou que depende bastante de um bom retorno no palco para cantar com segurança e admite que uma gripe pode afetar seu desempenho. Fora essas situações, porém, afirma estar muito satisfeito com a maneira como sua voz responde atualmente.
Como exemplo, lembrou da recente turnê do Helloween pelos Estados Unidos, quando acredita ter vivido um dos melhores momentos de sua carreira como cantor. “Quando fizemos a turnê pelos Estados Unidos em abril, durante quatro semanas, acho que apresentei o melhor vocal ao vivo da minha vida. Fiquei realmente muito feliz.”
Para explicar por que isso acontece, o alemão apresentou sua teoria. “Se você canta de uma forma que é natural para a sua voz e não tenta forçá-la para uma direção que ela não quer seguir, acho que vai ficar tudo bem.”
Na visão de Kiske, esse é justamente o ponto que separa os cantores que conseguem preservar a voz daqueles que desenvolvem problemas ao longo da carreira.
O erro que destrói muitas vozes
Segundo o vocalista, muitos artistas acabam tentando criar um timbre que não corresponde às características naturais da própria voz.
Para ele, o resultado é previsível: com o passar dos anos, as cordas vocais sofrem um desgaste cada vez maior. “Todos esses cantores que desenvolveram problemas vocais — e eu poderia citar alguns que hoje soam horríveis, mas eram ótimos há 20 anos — forçaram a voz de uma maneira que não é natural para ela. Isso acaba queimando a voz, cansando ou até fazendo com que ela falhe.”
Kiske faz questão de destacar que isso não tem relação com cantar forte ou cantar suave.
Rob Halford e Bruce Dickinson são exemplos
Para sustentar seu argumento, o vocalista citou dois dos maiores nomes do heavy metal.
O primeiro foi Rob Halford, do Judas Priest.
Segundo Kiske, Halford sempre cantou com enorme intensidade, mas isso nunca representou um problema porque esse é justamente o modo natural como sua voz funciona. “Veja alguém como Rob Halford. Ele sempre cantou de forma extremamente intensa, mas a voz dele suporta isso porque esse é o estilo natural dele. Ele ainda soa muito bem, e o cara já passou dos 70 anos.”
Outro exemplo citado foi Bruce Dickinson, do Iron Maiden.
Na opinião de Kiske, o vocalista britânico evoluiu tecnicamente ao longo da carreira. “Acho que Bruce Dickinson canta melhor hoje do que em muitos anos da década de 1990. Ele trabalhou a voz e canta de uma forma natural.”
Para Kiske, a altura das notas ou a agressividade da interpretação não são os fatores determinantes para preservar a voz. “Não importa quão alto ou pesado você cante. Desde que não force sua voz a fazer algo que ela não quer fazer, você provavelmente ficará bem.”
A técnica acima da potência
A declaração reforça uma filosofia que acompanha Michael Kiske há muitos anos: a ideia de que a técnica deve servir para respeitar as características individuais de cada cantor, e não para transformá-lo em outra pessoa.
Na visão do vocalista do Helloween, cada voz possui limites e qualidades próprias. Quando o cantor tenta imitar um timbre que não lhe pertence ou cria tensão para alcançar determinado efeito, o desgaste acaba sendo inevitável.
Seu próprio desempenho recente parece reforçar essa tese. Aos 58 anos, Kiske afirma que nunca esteve tão satisfeito com sua performance ao vivo quanto durante a mais recente turnê norte-americana do Helloween — uma fase em que, segundo ele, cantar se tornou mais natural do que nunca.