O Viper tinha uma missão difícil na noite de 2 de outubro, no Tokio Marine Hall, em São Paulo: abrir para o Angra justamente na noite em que a banda celebrava os 30 anos de Holy Land, um dos discos mais importantes da história do metal brasileiro. Em cerca de 40 minutos, porém, o Viper mostrou que sua própria história é grande o suficiente para ocupar aquele palco e conquistar o público da casa em poucos segundos.

A apresentação começou da melhor maneira possível: “Soldiers of Sunrise”, faixa-título do primeiro álbum do Viper e também o primeiro disco gravado por Andre Matos. É uma das músicas fundamentais do metal nacional e ganhou, décadas depois, uma interpretação que reforça sua importância histórica sem depender apenas da nostalgia.

Rogério Talarico @rogeriotalarico / Top Link Music @toplinkmusic

O repertório passou por diferentes momentos da trajetória da banda, mas deu espaço especial a Theatre of Fate. “A Cry From the Edge” e “Theatre of Fate” estiveram entre os destaques, enquanto “Under the Sun”, do álbum Timeless, representou o material mais recente apresentado naquela noite.

Um dos momentos mais emocionantes veio com “Spreading Soul Forever”. A música serviu como uma homenagem a Andre Matos e Pit Passarell, dois nomes fundamentais da história do Viper. Em determinado momento, Daniel Matos, baixista e irmão de André, assumiu os vocais para cantar alguns trechos da faixa, criando uma conexão especialmente forte entre o passado e o presente da banda.

Leandro Caçoilo encara o legado de Andre Matos

Outro grande destaque foi Leandro Caçoilo. Mais uma vez, o vocalista mostrou por que é uma escolha tão adequada para interpretar o material clássico do Viper.

Rogério Talarico @rogeriotalarico / Top Link Music @toplinkmusic

Cantar músicas que Andre Matos gravou quando tinha menos de 20 anos é uma tarefa que exige muito mais do que reproduzir as notas originais. Caçoilo enfrentou os registros agudos com potência, precisão e segurança, passando muito longe de transformar a apresentação em uma tentativa de imitação. O resultado foi uma interpretação própria, mas respeitosa com um repertório que carrega enorme peso histórico.

No palco, Felipe Machado é o único integrante da formação original que permanece no Viper. É uma condição que naturalmente torna sua presença ainda mais simbólica. Só faltou mais volume do som da sua guitarra. Ao lado de Rafael Bittencourt, que mantém o Angra em atividade e conectado à sua própria história, Machado conseguiu preservar a chama de uma banda que ajudou a estabelecer o metal brasileiro.

E, considerando a famosa história envolvendo o Viper e o Colégio Rio Branco, pode-se dizer que dessa vez a chama ficou exatamente onde deveria: no palco, e não na cortina.