Nos últimos anos, poucas bandas conseguiram construir uma identidade tão única dentro do metal moderno quanto o VOLA. Vindos da Dinamarca, os músicos encontraram uma fórmula que combina riffs pesados inspirados pelo djent, atmosferas eletrônicas, refrões melódicos e influências do rock progressivo. O resultado é um som que desafia rótulos e conquistou uma legião de fãs em todo o mundo.

Embora ainda não tenham alcançado a popularidade de gigantes como Dream Theater, Opeth ou Meshuggah, o VOLA é frequentemente citado entre os nomes mais criativos da nova geração do metal progressivo. Com quatro álbuns de estúdio lançados e uma crescente presença em festivais internacionais, a banda se transformou em uma das principais representantes do prog metal europeu contemporâneo.

Como surgiu o VOLA?

O VOLA foi formado em Copenhague, na Dinamarca, em 2006, por Asger Mygind (vocais e guitarra) e Martin Werner (teclados). Após algumas mudanças de formação nos primeiros anos, a banda encontrou estabilidade com a entrada do baixista Nicolai Mogensen e, posteriormente, do baterista sueco Adam Janzi.

Antes de alcançar reconhecimento internacional, o grupo lançou os EPs Homesick Machinery (2008) e Monsters (2011), trabalhos que já apresentavam elementos que mais tarde se tornariam marcas registradas da banda: riffs complexos, forte presença de sintetizadores e vocais limpos carregados de emoção.

O que torna o VOLA diferente?

Em uma cena repleta de bandas técnicas e virtuosas, o VOLA encontrou um caminho próprio.

As influências vão de Meshuggah e Opeth até Massive Attack, Porcupine Tree e Steven Wilson. Essa mistura incomum faz com que a banda combine o peso característico do djent com elementos eletrônicos, ambientações melancólicas e refrões acessíveis.

Ao contrário de muitos grupos do metal progressivo, o VOLA raramente transforma a técnica em protagonista. Mesmo quando utiliza métricas complexas e riffs intrincados, as músicas permanecem focadas em melodia e atmosfera.

É justamente essa combinação que faz muitos ouvintes compararem a banda a uma fusão entre Meshuggah, Deftones e Porcupine Tree.

Inmazes: o álbum que colocou a banda no mapa

O primeiro álbum completo da banda, Inmazes, chegou em 2015 e rapidamente chamou atenção da crítica especializada.

O disco apresentava uma sonoridade que misturava metal progressivo, eletrônica e rock alternativo de forma bastante original. Faixas como “Starburn”, “Stray the Skies”, “Gutter Moon” e a própria “Inmazes” ajudaram a estabelecer a identidade do grupo.

Para muitos fãs, o álbum continua sendo a obra mais importante da carreira da banda.

Applause of a Distant Crowd ampliou a audiência

Em 2018, o VOLA lançou Applause of a Distant Crowd.

O trabalho suavizou parte da agressividade do álbum anterior e ampliou o uso de elementos eletrônicos e influências do rock progressivo. O disco também trouxe temas ligados à vida moderna, redes sociais e relacionamentos em um mundo cada vez mais conectado digitalmente.

Músicas como “Smartfriend”, “Ghosts”, “Alien Shivers” e “Whaler” se tornaram favoritas dos fãs e ajudaram a expandir a presença da banda na Europa e na América do Norte.

Witness levou o VOLA a outro nível

O terceiro álbum de estúdio, Witness, foi lançado em 2021.

Mais pesado do que seu antecessor, o disco apresentou algumas das músicas mais populares da carreira do grupo, incluindo “Head Mounted Sideways”, “Straight Lines”, “24 Light-Years” e “These Black Claws”, esta última com participação do coletivo SHAHMEN.

O álbum alcançou posições importantes em rankings especializados e ajudou o VOLA a conquistar uma audiência significativamente maior. Segundo dados divulgados pela própria banda e plataformas de streaming, Witness acumulou dezenas de milhões de reproduções em poucos anos.

Friend of a Phantom mostra uma banda em constante evolução

O trabalho mais recente do grupo é Friend of a Phantom, lançado em 2024.

O álbum trouxe músicas como “Paper Wolf”, “Cannibal”, “Bleed Out” e “I Don’t Know How We Got Here”. Um dos destaques é a participação de Anders Fridén, vocalista do In Flames, na faixa “Cannibal”.

O disco reafirma uma característica presente em toda a trajetória do VOLA: a capacidade de evoluir sem perder sua identidade.

Por onde começar a ouvir VOLA?

Para quem está descobrindo a banda agora, estas músicas são uma excelente porta de entrada:

  • Straight Lines
  • Head Mounted Sideways
  • Alien Shivers
  • Smartfriend
  • Ghosts
  • Paper Wolf
  • Cannibal
  • Stray the Skies
  • Starburn
  • 24 Light-Years

Elas representam bem o equilíbrio entre peso, melodia e experimentação que tornou o grupo um dos nomes mais interessantes do metal progressivo atual.

O futuro do VOLA

Mesmo enfrentando dificuldades recentes, como o incêndio que destruiu boa parte de seus equipamentos e infraestrutura no fim de 2025, o VOLA continua ativo e planejando novas turnês internacionais. A resposta dos fãs ao redor do mundo mostrou o tamanho da comunidade construída pela banda ao longo dos últimos anos.

Em uma época em que muitos grupos tentam repetir fórmulas já conhecidas, o VOLA segue explorando novos caminhos. E talvez seja justamente essa disposição para experimentar que faz da banda uma das apostas mais interessantes para o futuro do metal progressivo.