Poucas bandas na história da música podem afirmar que continuam lançando álbuns inéditos após mais de cinco décadas de carreira. O Yes é uma delas.
A lendária banda britânica de rock progressivo acaba de lançar Aurora, seu 24º álbum de estúdio, dando continuidade a uma impressionante trajetória iniciada em 1968 e reafirmando que ainda existe espaço para novas ideias dentro de um dos catálogos mais importantes da história do gênero. O disco chegou às plataformas digitais e formatos físicos em 12 de junho de 2026, via InsideOut Music e Sony Music.
O terceiro álbum em cinco anos
Aurora sucede The Quest (2021) e Mirror to the Sky (2023), completando uma espécie de trilogia criativa da fase recente do Yes.
Segundo o guitarrista Steve Howe, a sequência não foi planejada desde o início. As ideias remanescentes de um álbum acabavam servindo como ponto de partida para o seguinte, criando uma continuidade natural entre os três trabalhos. Howe também destacou a influência do selo InsideOut Music, que incentivou a banda a continuar expandindo sua criatividade em vez de simplesmente repetir fórmulas do passado.
O resultado é um álbum que procura equilibrar tradição e renovação, algo que o Yes vem perseguindo desde o início dos anos 1970.
Uma formação estável em tempos raros
Um dos aspectos mais interessantes de Aurora é a estabilidade da formação.
O álbum reúne Steve Howe, Geoff Downes, Jon Davison, Billy Sherwood e Jay Schellen. Esta é a mesma formação que gravou o disco anterior, algo relativamente raro na história recente da banda, marcada por constantes mudanças de integrantes.
Howe chegou a afirmar que este é o grupo mais estável do Yes desde a década de 1970, um fator que teria contribuído para a química presente nas novas composições.
Também é o segundo álbum de estúdio com Jay Schellen na bateria após a morte de Alan White, um dos integrantes mais importantes da longa história da banda.
A faixa-título é o grande destaque
Entre os dez temas presentes no álbum, a faixa-título “Aurora” aparece como uma das composições mais ambiciosas.
A música traz uma introdução de piano solo, algo que Steve Howe comparou à abordagem adotada pela banda em clássicos do passado. O arranjo também conta com a participação da Orquestra Sinfônica Nacional Tcheca, composta por 64 músicos, reforçando o caráter épico da faixa.
Outras músicas que vêm recebendo destaque incluem:
- Turnaround Situation
- Ariadne
- Countermovement
- Jambustin’
- Love Lies Dreaming
A proposta geral do álbum é apresentar composições mais compactas do que muitos dos clássicos progressivos da banda, sem abrir mão da complexidade musical característica do Yes. Apenas “Countermovement” ultrapassa a marca dos dez minutos de duração.
Recepção dividida da crítica
Como costuma acontecer com lançamentos de bandas históricas, Aurora gerou opiniões bastante diferentes entre os críticos.
Parte da imprensa especializada considera o álbum um dos trabalhos mais consistentes da fase recente do Yes, elogiando a produção, os arranjos e a qualidade das composições. Alguns veículos chegaram a descrevê-lo como o melhor disco do grupo em muitos anos.
Por outro lado, também houve avaliações mais cautelosas. Alguns críticos apontaram que o processo de gravação remoto, utilizado pela banda nos últimos anos, teria reduzido parte da espontaneidade e da interação que marcaram os grandes clássicos do grupo.
Ainda assim, mesmo os textos mais críticos reconhecem a qualidade técnica dos músicos e a capacidade do Yes de continuar produzindo material inédito em alto nível após tantas décadas de atividade.
O futuro continua aberto
Se existe algo que Aurora deixa claro, é que o Yes não está interessado em encerrar sua história.
Mesmo aos 79 anos, Steve Howe já indicou que existem ideias para futuros projetos e que a banda pretende explorar novas direções criativas após o encerramento deste ciclo iniciado com The Quest.
Em uma época em que muitas bandas clássicas vivem apenas de turnês nostálgicas, o Yes continua fazendo aquilo que sempre definiu sua identidade: criar música nova.
E, goste ou não do resultado final, poucas bandas podem dizer isso depois de 24 álbuns de estúdio.