A parceria entre Edu Falaschi e Roberto Barros foi uma das mais importantes do heavy metal brasileiro nos últimos anos. Entre 2017 e 2025, o guitarrista participou da reconstrução da carreira solo do ex-vocalista do Angra, ajudando a consolidar uma fase que resultou em turnês internacionais, DVDs e três álbuns bastante elogiados.
No entanto, pouco mais de um ano após deixar a banda, Roberto passou a fazer uma série de declarações públicas sobre sua experiência no projeto, abordando questões relacionadas a composição, créditos autorais, cachês e condições de trabalho durante as turnês. As manifestações deram início a uma das maiores controvérsias recentes da cena nacional.
A seguir, reunimos a cronologia dos acontecimentos e os posicionamentos divulgados por todos os envolvidos.
O período de Roberto Barros na banda
Roberto Barros entrou para a banda de Edu Falaschi em 2017, durante a turnê que celebrava a fase do cantor no Angra.
Rapidamente, deixou de atuar apenas como guitarrista de palco.
Nos anos seguintes, passou a participar ativamente da produção dos discos, dos arranjos de guitarra e do desenvolvimento musical dos projetos.
Seu nome aparece em trabalhos como:
- The Glory of the Sacred Truth (EP)
- Temple of Shadows in Concert
- Vera Cruz
- Eldorado
- Vera Cruz – Live in São Paulo
Durante esse período, Roberto também ganhou projeção internacional, sendo eleito o melhor guitarrista brasileiro pelos leitores da Roadie Crew em 2022.
A saída da banda
Em março de 2025, Roberto anunciou sua saída da banda de Edu Falaschi.
Na ocasião, o comunicado foi bastante cordial.
O guitarrista agradeceu pelos anos de parceria e afirmou apenas que iniciaria um novo momento profissional. Nenhuma divergência foi mencionada publicamente naquele momento.
Pouco depois, Victor Franco assumiu a guitarra da banda.
O início das críticas públicas
A situação mudou em 2026.
Após Edu Falaschi comentar, em entrevistas e em um evento para fãs, que costumava desenvolver ideias musicais gravando melodias com a voz para que os guitarristas as transformassem em arranjos, Roberto afirmou que essas declarações davam uma impressão equivocada sobre sua participação criativa, especialmente em músicas de Vera Cruz.
Segundo o guitarrista, sua contribuição teria sido muito maior do que apenas executar ideias previamente definidas.
A questão dos créditos
Grande parte das reclamações feitas por Roberto diz respeito aos créditos autorais.
O guitarrista afirma que participou intensamente da construção de diversas músicas de Vera Cruz e Eldorado, mas que recebeu menos créditos do que considerava justo.
Segundo seu relato, algumas dessas participações só teriam sido reconhecidas após conversas internas envolvendo integrantes da equipe.
Até o momento, não há decisão judicial ou documento público que confirme ou rejeite essas alegações.
Cachês e condições de trabalho
Outro ponto levantado por Roberto envolve aspectos financeiros.
Em vídeos publicados nas redes sociais, o guitarrista afirmou que, nos primeiros anos da banda, precisou custear despesas relacionadas a equipamentos e viagens e relatou que, em determinados momentos, recebeu cachês que considerou incompatíveis com sua participação no projeto.
Ele também alegou que descobriu diferenças significativas entre os valores pagos aos integrantes durante turnês internacionais e descreveu problemas relacionados à hospedagem e à estrutura oferecida em algumas viagens.
Esses relatos representam a versão apresentada por Roberto Barros e não foram comprovados de forma independente.
A resposta de Raphael Dafras
Entre os músicos que integraram a banda de Edu Falaschi, o primeiro a comentar publicamente o caso foi o baixista Raphael Dafras.
Sem atacar Roberto, Dafras afirmou que, durante o período em que trabalhou com Edu, “tudo que foi assinado foi cumprido”. Segundo ele, eventuais problemas eram resolvidos por meio de conversas internas, destacando que nunca teve pendências semelhantes às relatadas pelo ex-colega.
Ao mesmo tempo, o baixista declarou torcer para que Roberto e Edu consigam se reconciliar no futuro.
Edu Falaschi respondeu?
Até o momento da publicação deste artigo, Edu Falaschi não havia divulgado uma resposta detalhada rebatendo ponto a ponto as alegações apresentadas por Roberto Barros.
Em entrevistas anteriores, o cantor explicou seu método de composição, afirmando que costuma criar melodias e estruturas musicais antes de levá-las aos músicos da banda para desenvolvimento dos arranjos.
No entanto, ele ainda não publicou um posicionamento específico respondendo às acusações relacionadas a créditos, cachês e condições de trabalho.
Uma parceria que deixou sua marca
Independentemente da controvérsia, a contribuição de Roberto Barros para a carreira solo de Edu Falaschi é amplamente reconhecida pelos fãs.
O guitarrista participou de álbuns como Vera Cruz e Eldorado, considerados por muitos entre os melhores trabalhos da carreira solo do vocalista, além de integrar turnês internacionais e gravações ao vivo que consolidaram o retorno de Edu após seus problemas vocais da década anterior.
Da mesma forma, a parceria também impulsionou a carreira de Roberto, que ganhou projeção internacional e passou a ser reconhecido como um dos principais guitarristas brasileiros de sua geração.
Uma história que ainda pode ter novos capítulos
Até o momento, a controvérsia permanece restrita a declarações públicas feitas pelos envolvidos e pessoas próximas ao projeto.
Sem documentos públicos ou decisões formais que permitam confirmar as alegações apresentadas, o episódio deve ser tratado como uma disputa de versões.
Caso Edu Falaschi publique uma resposta detalhada ou novos desdobramentos ocorram, este artigo poderá ser atualizado para refletir as informações mais recentes.