O Slayer finalmente voltou aos palcos em 2026 — e escolheu uma maneira bastante apropriada de fazer isso: tocando Reign in Blood, um dos discos mais importantes da história do thrash metal, na íntegra. A apresentação aconteceu na sexta-feira, 4 de setembro, no Mystic Lake Amphitheater, em Shakopee, Minnesota, e marcou o início das comemorações pelos 40 anos do álbum lançado originalmente em 1986.

A noite contou com Down, Suicidal Tendencies e Hatebreed na abertura, antes de Tom Araya, Kerry King, Gary Holt e Paul Bostaph assumirem o palco para um show dividido em duas partes. Na primeira, o Slayer percorreu diferentes fases de sua carreira. Depois, veio o momento mais aguardado: as dez faixas de Reign in Blood executadas integralmente.

O repertório inicial começou com “South of Heaven” e passou por músicas como “Hate Worldwide”, “Disciple”, “Mandatory Suicide”, “Repentless”, “War Ensemble”, “When the Stillness Comes”, “Jihad”, “Seasons in the Abyss”, “Born of Fire”, “Dead Skin Mask”, “Hell Awaits” e “213”. A escolha mostra que a celebração dos 40 anos de Reign in Blood não significa que o Slayer tenha transformado seus shows em uma simples reprodução do álbum de 1986. A banda continua apresentando uma retrospectiva mais ampla de sua trajetória.

Ainda assim, foi na segunda parte que a apresentação ganhou um caráter histórico. O Slayer executou Reign in Blood completo, começando por “Angel of Death” e passando por “Piece by Piece”, “Necrophobic”, “Altar of Sacrifice”, “Jesus Saves”, “Criminally Insane”, “Reborn”, “Epidemic”, “Postmortem” e “Raining Blood”.

A decisão também permitiu recuperar músicas que estavam há muitos anos fora do repertório. “Piece by Piece”, “Necrophobic”, “Criminally Insane” e “Epidemic” não eram tocadas desde 2014. “Altar of Sacrifice” estava ausente desde 2015, enquanto “Jesus Saves” não aparecia em um show do Slayer desde 2019.

Outro destaque foi “When the Stillness Comes”, de Repentless (2015), que voltou a ser apresentada ao vivo pela primeira vez desde 2019. O repertório, portanto, funcionou tanto como uma celebração de Reign in Blood quanto como uma espécie de retrospectiva da carreira da banda.

Reign in Blood: 40 anos de um divisor de águas

Lançado em 7 de outubro de 1986, Reign in Blood ajudou a estabelecer uma nova referência de velocidade, agressividade e precisão dentro do metal extremo. Produzido por Rick Rubin, o álbum condensou dez músicas em pouco mais de meia hora e se tornou um dos trabalhos fundamentais do thrash metal.

A abertura com “Angel of Death”, seguida por faixas como “Piece by Piece”, “Necrophobic” e “Altar of Sacrifice”, transformou o disco em uma sequência praticamente sem respiro. No encerramento, “Postmortem” desemboca em “Raining Blood”, uma das músicas mais reconhecidas do repertório do Slayer.

Quatro décadas depois, a força do álbum continua sendo tamanha que a banda decidiu construir uma série de apresentações especificamente em torno dele. E a primeira delas deixou claro que o conceito vai muito além de simplesmente incluir alguns clássicos adicionais no setlist.

Visualmente, o espetáculo também ganhou uma produção especial. O palco contou com enormes estruturas de amplificadores em formato de cruz invertida e projeções envolvendo Baphomet, reforçando a atmosfera associada à estética histórica do Slayer.

Slayer volta ao Brasil em dezembro

Para os fãs brasileiros, a apresentação de Minnesota funciona também como uma prévia do que está por vir. O Slayer tem retorno confirmado à América Latina em dezembro de 2026, incluindo um show em São Paulo no dia 17 de dezembro, no Nubank Parque.

A apresentação brasileira terá ainda Kreator e Korzus no mesmo evento. De acordo com a programação divulgada, o Slayer levará ao Brasil o formato de celebração dos 40 anos de Reign in Blood, com o álbum executado na íntegra, além de outros clássicos da carreira.

A apresentação de Minnesota também dá uma boa indicação do que o público brasileiro pode esperar. Caso o repertório seja mantido, músicas que ficaram anos longe dos palcos poderão voltar a aparecer, ao lado de clássicos como “South of Heaven”, “War Ensemble”, “Seasons in the Abyss”, “Dead Skin Mask” e “Hell Awaits”.

O primeiro show de 2026 mostrou, portanto, que o retorno do Slayer aos palcos não é apenas uma continuação de sua agenda anterior. A banda encontrou uma maneira de transformar os 40 anos de Reign in Blood em uma celebração à altura de um dos discos que ajudaram a definir o thrash metal.

E, para quem estiver em São Paulo em dezembro, a combinação é particularmente significativa: Slayer tocando Reign in Blood na íntegra, com Kreator e Korzus no mesmo evento. Quatro décadas depois de seu lançamento, o álbum continua sendo capaz de sustentar sozinho uma noite inteira de metal.