Para muitos fãs de rock, David Gilmour é um dos maiores guitarristas de todos os tempos. Curiosamente, porém, o músico nunca se considerou um virtuose nos moldes de nomes como Jimi Hendrix, Jeff Beck ou Eric Clapton. Em uma entrevista resgatada pelo Ultimate Guitar, o integrante do Pink Floyd explicou por que acredita que a guitarra é o instrumento mais completo da música popular e contou como encontrou uma identidade própria justamente ao deixar de tentar imitar seus ídolos.
A reflexão ajuda a entender por que seu estilo continua sendo um dos mais reconhecíveis da história do rock.
“A guitarra pode fazer praticamente tudo”
Segundo Gilmour, poucos instrumentos oferecem tantas possibilidades quanto a guitarra.
Para ele, ela reúne características de instrumentos harmônicos, melódicos e rítmicos ao mesmo tempo, permitindo que um único músico acompanhe uma música, execute melodias e improvise solos sem depender de outros instrumentos.
Essa versatilidade é um dos motivos pelos quais ele considera a guitarra “o instrumento mais completo”.
Ao longo da carreira, Gilmour demonstrou exatamente essa abordagem em composições do Pink Floyd, nas quais frequentemente alterna acordes, linhas melódicas e solos expressivos dentro da mesma música.
“Nunca consegui soar como Hendrix ou Jeff Beck”
Apesar da enorme admiração por alguns dos maiores guitarristas da história, Gilmour reconhece que jamais conseguiu reproduzir o estilo deles.
Segundo ele, diversas vezes tentou tocar como Eric Clapton, Jeff Beck e Jimi Hendrix, mas o resultado nunca era o esperado.
Sempre que tentava soar como Jeff Beck, Eric Clapton ou Hendrix, acabava soando como David Gilmour.
Com o tempo, ele percebeu que essa era justamente sua maior força.
Em vez de insistir em copiar outros músicos, passou a desenvolver um estilo próprio baseado em frases melódicas, bends longos, vibratos expressivos e na escolha cuidadosa de cada nota.
Técnica nunca foi sua principal preocupação
Embora seja constantemente lembrado em listas dos maiores guitarristas da história, Gilmour sempre adotou uma postura humilde em relação à própria técnica.
Ele já afirmou em outras entrevistas que seus dedos “não são particularmente rápidos”, mas acredita que sua maneira de tocar é imediatamente reconhecível. Sua prioridade nunca foi impressionar pela velocidade, e sim pela emoção transmitida em cada frase.
Essa filosofia pode ser percebida em solos como:
- Comfortably Numb
- Time
- Money
- Shine On You Crazy Diamond
- Sorrow
Em todos eles, o silêncio, a dinâmica e a escolha das notas têm papel tão importante quanto a execução técnica.
As influências que ajudaram a formar seu estilo
Embora tenha construído uma identidade muito particular, Gilmour nunca escondeu suas referências.
Entre os guitarristas que mais o influenciaram estão:
- Jimi Hendrix
- Jeff Beck
- Eric Clapton
- Peter Green
- Hank Marvin
Segundo o músico, copiar os artistas que admirava foi parte fundamental de seu aprendizado.
Com o passar do tempo, essas influências acabaram se misturando até que surgiu aquilo que ele passou a considerar seu próprio estilo.
Muito além da velocidade
Em uma época em que muitos guitarristas buscavam tocar cada vez mais rápido, David Gilmour seguiu outro caminho.
Seu foco sempre esteve na construção da atmosfera da música e na capacidade de fazer a guitarra “cantar”. Os longos bends, o vibrato característico e o uso criterioso de efeitos como delay, chorus e o clássico Big Muff tornaram-se marcas registradas de seu som.
Essa abordagem influenciou gerações de músicos, mostrando que um solo memorável não depende necessariamente da quantidade de notas executadas.
Um legado construído com personalidade
Décadas depois do auge do Pink Floyd, David Gilmour continua sendo citado entre os guitarristas mais influentes da história do rock.
O curioso é que seu reconhecimento não nasceu da tentativa de competir com Hendrix, Clapton ou Jeff Beck em termos de técnica. Pelo contrário: surgiu justamente quando ele aceitou que jamais tocaria como seus ídolos e passou a explorar aquilo que fazia de forma única.
Talvez essa seja a principal lição de Gilmour para qualquer músico: desenvolver personalidade vale mais do que reproduzir perfeitamente o estilo de outra pessoa. É por isso que bastam poucas notas de “Comfortably Numb”, “Time” ou “Wish You Were Here” para que milhões de ouvintes reconheçam imediatamente quem está tocando.