Poucas músicas dos anos 1980 são tão reconhecidas quanto “What a Feeling”, eternizada por Irene Cara na trilha sonora do filme Flashdance. Quase quatro décadas depois, o clássico ganhou uma releitura completamente diferente pelas mãos de Leandro Caçoilo, um dos principais vocalistas do heavy metal brasileiro.

Lançada como o segundo single de seu primeiro álbum solo, Building My Own Kingdom, a nova versão transforma o pop oitentista em uma faixa de power metal repleta de velocidade, guitarras marcantes e refrões grandiosos, sem perder o caráter inspirador da composição original.

Segundo o cantor, a ideia de gravar a música o acompanhava há muitos anos.

“Essa é uma música que sempre achei que merecia uma versão em metal”, afirmou Caçoilo ao anunciar o lançamento.

Um time de peso participou da gravação

Para transformar a ideia em realidade, Leandro reuniu músicos bastante conhecidos da cena brasileira.

A gravação conta com:

  • Marcelo Barbosa (Angra) na guitarra solo;
  • Daniel Félix nos teclados e pianos;
  • Daniel Matos, parceiro de banda no Viper, no baixo;
  • Val Santos nas guitarras, gravação e produção.

O resultado é uma versão que preserva a essência otimista de “What a Feeling”, mas a transporta para um universo muito mais próximo do heavy e do power metal.

O primeiro álbum solo

“What a Feeling” fará parte de Building My Own Kingdom, primeiro disco solo da carreira de Leandro Caçoilo.

Segundo a Wikimetal Music, o álbum pretende reunir todas as influências acumuladas pelo cantor ao longo de sua trajetória, passando pelo heavy metal tradicional, power metal e hard rock. O trabalho também busca refletir sua passagem por algumas das principais bandas do metal nacional.

Para quem acompanha Caçoilo desde os anos 2000, trata-se de um projeto aguardado há bastante tempo.

Antes do álbum solo veio “Reason to Live”

Embora Building My Own Kingdom seja seu primeiro álbum solo, Leandro já havia dado uma prévia dessa fase anos atrás.

Em 2018, ele apresentou “Reason to Live”, primeira composição lançada oficialmente em seu nome. A música, escrita em parceria com Val Santos, serviu como embrião para o projeto solo e mostrou uma sonoridade fortemente influenciada pelo power metal melódico. Posteriormente, a faixa ganhou videoclipe e chegou às plataformas digitais, tornando-se um marco importante em sua carreira fora das bandas das quais participou.

Os anos de Eterna

Muito antes de assumir os vocais do Viper, Leandro Caçoilo já era bastante conhecido entre os fãs de metal nacional graças ao Eterna.

Foi na banda paulista que ele gravou alguns dos discos mais importantes de sua carreira, ajudando a consolidar o grupo como um dos principais representantes do metal melódico brasileiro nos anos 2000.

Álbuns como The Gate (2002), Debris of Humanity (2006) e Terra Nova (2010) destacaram não apenas sua potência vocal, mas também sua versatilidade, transitando entre momentos mais agressivos e passagens bastante melódicas. Músicas como Dead Eyes continuam entre as mais lembradas pelos fãs e costumam aparecer em seus shows e homenagens ao período.

Hardshine: o lado hard rock de Caçoilo

Outra faceta importante de sua carreira apareceu com o Hardshine.

A banda apostou em uma sonoridade mais próxima do hard rock melódico, fortemente inspirada nos grandes nomes dos anos 1980.

O álbum So Far and So Close mostrou um lado diferente do cantor, valorizando refrões marcantes e melodias acessíveis sem abrir mão da qualidade técnica que sempre caracterizou suas interpretações.

A chegada ao Caravellus

Em 2018, Leandro passou a integrar o Caravellus, banda criada pelo guitarrista Glauber Oliveira, um dos compositores mais respeitados do metal progressivo brasileiro.

Sua estreia aconteceu em Inter Mundos (2022), álbum conceitual inspirado na cultura nordestina e na obra de Ariano Suassuna.

O disco recebeu elogios da crítica por combinar power metal, metal progressivo e elementos da música brasileira. Além da participação de Caçoilo, o trabalho contou com convidados como Derek Sherinian, Felipe Andreoli, Hugo Mariutti e Elba Ramalho, tornando-se um dos lançamentos nacionais mais ambiciosos da década.

A responsabilidade de assumir o Viper

Em 2018, Leandro Caçoilo recebeu talvez o maior desafio de sua carreira.

Ele foi escolhido para assumir os vocais do Viper, ocupando o posto eternizado por Andre Matos.

Longe de tentar imitar seu antecessor, Caçoilo adotou uma abordagem própria, respeitando o legado da banda enquanto imprimia sua identidade às apresentações ao vivo.

Sua interpretação de clássicos como Moonlight, Living for the Night, At Least a Chance e A Cry From the Edge conquistou rapidamente a aprovação dos fãs, especialmente durante as turnês comemorativas de Theatre of Fate, álbum considerado um dos maiores clássicos da história do heavy metal brasileiro.

Um dos grandes vocalistas do metal nacional

Poucos cantores brasileiros conseguiram construir uma trajetória tão diversa quanto Leandro Caçoilo.

Ao longo da carreira, ele transitou pelo power metal, heavy metal tradicional, hard rock e metal progressivo, sempre mantendo uma identidade vocal muito particular. Além das bandas pelas quais passou, tornou-se referência como professor de canto e frequentemente presta homenagens a artistas que influenciaram sua formação, de Steve Perry a Freddie Mercury, passando por Andre Matos, Ronnie James Dio e Russell Allen.

Agora, com Building My Own Kingdom, Caçoilo finalmente reúne todas essas influências em um trabalho que leva sua assinatura do início ao fim.

E “What a Feeling” mostra exatamente essa proposta: reinterpretar um clássico da música pop através da linguagem do heavy metal, sem perder o respeito pela composição original e, ao mesmo tempo, reafirmando por que Leandro Caçoilo continua sendo um dos nomes mais respeitados da cena brasileira.