Poucas bandas conseguem lançar um novo álbum de estúdio após mais de seis décadas de carreira e ainda despertar tanta expectativa. Os Rolling Stones provaram mais uma vez por que ocupam um lugar único na história do rock com o lançamento de Foreign Tongues, seu 25º álbum de estúdio. O trabalho chega cerca de três anos depois de Hackney Diamonds e mostra que Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood continuam encontrando novas formas de manter viva uma das carreiras mais longevas da música.

Produzido novamente por Andrew Watt, responsável pelo elogiado Hackney Diamonds, o novo disco reúne 14 faixas inéditas e aposta em uma combinação entre o blues rock que consagrou a banda e uma produção moderna. O álbum também chama atenção pelo número de convidados especiais. Entre eles estão Paul McCartney, Robert Smith, vocalista do The Cure, Steve Winwood e Chad Smith, baterista do Red Hot Chili Peppers. Além disso, Foreign Tongues traz uma das últimas gravações feitas por Charlie Watts antes de sua morte, em 2021, o que confere um significado especial ao lançamento.

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Entre as músicas que mais despertaram curiosidade está a releitura de “You Know I’m No Good”, de Amy Winehouse. Em vez de simplesmente reproduzir o arranjo original, os Stones reinterpretam a canção dentro de sua linguagem, aproximando-a do blues e do rock que sempre marcaram sua discografia. A escolha reforça a tradição da banda de dialogar com diferentes gerações de artistas, algo que já aconteceu diversas vezes ao longo de sua história.

O álbum também apresenta músicas inéditas como “Rough and Twisted”, “In The Stars”, “Mr. Charm” e “Some of Us”, esta última desenvolvida ao longo de vários anos até chegar à versão definitiva. Keith Richards revelou recentemente que algumas composições do disco passaram por um processo criativo semelhante ao de clássicos da banda, mostrando que os Stones continuam lapidando suas músicas com a mesma paciência que marcou seus maiores sucessos.

Embora muitos imaginassem que Hackney Diamonds pudesse representar o encerramento da carreira da banda, Foreign Tongues demonstra exatamente o contrário. Em entrevistas concedidas durante o lançamento, Mick Jagger afirmou que o grupo ainda sente prazer em compor e gravar novas músicas. Keith Richards também afastou qualquer ideia de aposentadoria imediata, indicando que os Rolling Stones continuam trabalhando em material inédito e não descartam voltar aos palcos no futuro, ainda que uma grande turnê mundial não esteja prevista para este ano.

A recepção inicial da crítica tem sido bastante positiva. Veículos especializados destacaram que, em vez de viver apenas da nostalgia, os Stones conseguiram entregar um álbum que soa vivo e inspirado. As avaliações elogiam especialmente a energia de Mick Jagger, que aos 83 anos continua impressionando pela interpretação vocal, e a química entre Richards e Ronnie Wood, considerada um dos grandes trunfos do disco.

Poucas bandas conseguiram atravessar tantas transformações na indústria musical quanto os Rolling Stones. Eles sobreviveram ao fim do vinil, ao auge do CD, à revolução do streaming e às mudanças de comportamento do público sem perder sua identidade. Foreign Tongues reforça justamente essa capacidade de adaptação. O álbum não tenta repetir os clássicos dos anos 1960 ou 1970, mas também não abandona a essência que transformou a banda em uma das maiores da história do rock.

Foreign Tongues serve como prova de que criatividade e longevidade podem caminhar juntas. Mais de 60 anos depois de sua formação, Mick Jagger, Keith Richards e Ronnie Wood continuam demonstrando que o rock ainda pode soar atual quando interpretado por artistas que nunca deixaram de olhar para frente.