Quando se fala em Tony Iommi, a primeira associação quase sempre é o Black Sabbath. Afinal, foi ao lado de Ozzy Osbourne, Geezer Butler e Bill Ward que o guitarrista ajudou a criar o heavy metal no início dos anos 1970. O que muita gente não sabe é que, no ano 2000, Iommi lançou um álbum solo que reuniu alguns dos maiores nomes do rock e do metal da época — e que acabou passando despercebido por boa parte do público.
Batizado simplesmente de Iommi, o disco pode ser visto como uma celebração da influência do guitarrista. Em vez de montar uma banda fixa, Tony convidou um vocalista diferente para cada música. O resultado foi um trabalho que passeia pelo hard rock, heavy metal, metal alternativo e até pelo grunge, sempre mantendo o peso característico de seus riffs.
Entre os convidados estão Dave Grohl, Serj Tankian, Billy Corgan, Phil Anselmo, Peter Steele, Ian Astbury, Billy Idol, Henry Rollins e Skin, do Skunk Anansie. Até mesmo Brian May, do Queen, participa como guitarrista em algumas faixas. Poucos discos conseguem reunir um elenco tão impressionante de artistas vindos de universos musicais tão diferentes.
A reunião “quase” completa do Black Sabbath
Entre todas as músicas do álbum, uma chama atenção imediatamente dos fãs do Black Sabbath.
Trata-se de “Who’s Fooling Who”, que reúne Tony Iommi, Ozzy Osbourne e Bill Ward. Embora Geezer Butler não participe da gravação, a música acaba funcionando como uma espécie de reencontro parcial da formação clássica do Sabbath, poucos anos depois da reunião oficial da banda no fim da década de 1990. Laurence Cottle assume o baixo, enquanto Ozzy interpreta uma letra escrita especialmente para a faixa.
O resultado lembra bastante o Black Sabbath daquele período. O riff pesado, o groove da bateria de Bill Ward e a voz inconfundível de Ozzy fazem muitos fãs considerarem “Who’s Fooling Who” uma espécie de “canção perdida” da banda.
Um projeto que Tony sonhava havia anos
A ideia de gravar um álbum com diferentes vocalistas acompanhava Tony Iommi desde os anos 1980.
Segundo o próprio guitarrista, Iommi finalmente permitiu realizar um conceito que ele já havia imaginado durante a produção de Seventh Star. Na época, o disco deveria ser um trabalho solo, mas acabou sendo lançado como Black Sabbath featuring Tony Iommi por decisão da gravadora. Com Iommi, ele finalmente teve liberdade para criar exatamente o álbum que desejava, convidando todos os cantores com quem sempre quis trabalhar — e ainda precisou recusar outros artistas interessados por falta de espaço.
Muito além de Ozzy
Embora “Who’s Fooling Who” seja a faixa mais conhecida pelos fãs do Black Sabbath, o restante do álbum também reserva momentos marcantes.
Dave Grohl canta “Goodbye Lament”, unindo sua pegada melódica aos riffs de Iommi em uma das músicas mais acessíveis do disco. Phil Anselmo entrega uma performance agressiva em “Time Is Mine”, enquanto Serj Tankian imprime toda sua personalidade em “Patterns”, antecipando elementos que exploraria posteriormente com o System of a Down.
Billy Corgan, do Smashing Pumpkins, participa de “Black Oblivion”, Ian Astbury assume os vocais em “Flame On”, Peter Steele leva seu timbre sombrio para “Just Say No To Love”, e Billy Idol encerra o álbum com “Into The Night”. Cada faixa soa diferente, mas todas carregam a assinatura inconfundível da guitarra de Tony Iommi.
Um álbum que merece ser redescoberto
Apesar da quantidade impressionante de convidados, Iommi nunca alcançou o sucesso comercial esperado. Lançado em um momento de grandes transformações na indústria fonográfica, o disco acabou ficando à margem do mercado e, com o passar dos anos, tornou-se uma espécie de joia escondida na discografia de Tony Iommi.
Ainda assim, sua importância cresceu com o tempo. Hoje, muitos fãs enxergam o álbum como um registro da enorme influência exercida pelo guitarrista sobre diferentes gerações de músicos. Afinal, poucos artistas conseguiriam reunir em um mesmo projeto nomes como Ozzy Osbourne, Dave Grohl, Serj Tankian, Phil Anselmo, Billy Corgan e Billy Idol.
Para quem conhece Tony Iommi apenas pelo Black Sabbath, Iommi é uma excelente porta de entrada para descobrir outro lado de sua criatividade. E, para os admiradores de Ozzy Osbourne, “Who’s Fooling Who” permanece como uma curiosidade imperdível: uma reunião quase completa do Sabbath que muita gente ainda desconhece, mas que merece lugar entre os grandes momentos da carreira de seus integrantes.