Dino Jelusick revelou novos detalhes sobre uma história que poderia ter resultado em um projeto reunindo vários ex-integrantes do Whitesnake — mas que acabou sendo interrompido antes mesmo de realmente começar. Segundo o vocalista croata, um e-mail enviado pelo advogado de David Coverdale foi suficiente para fazer com que os músicos recuassem.

A história veio à tona em uma entrevista concedida por Jelusick ao jornalista Igor Miranda, da Rolling Stone Brasil, e publicada pelo Blabbermouth em 7 de setembro. O episódio envolve uma apresentação que deveria reunir vários músicos ligados ao Whitesnake e acabou sendo divulgada como Whitesnake Experience, algo que, segundo Dino, nunca deveria ter se transformado em um projeto propriamente dito.

A ideia era fazer apenas um show

Depois de participar da turnê europeia de despedida do Whitesnake em 2022, Dino manteve uma relação próxima com Coverdale e com outros músicos que passaram pela banda. O croata havia sido contratado para tocar teclados e ajudar nos vocais, dividindo partes importantes das músicas com Michele Luppi.

A relação com Coverdale era particularmente boa. Dino conta que o vocalista era seu maior herói e que chegou a conversar com ele sobre a possibilidade de comporem juntos. Segundo Jelusick, Coverdale também chegou a lhe apresentar algumas ideias e músicas de blues, dizendo que gostaria de escrever algo para que os dois cantassem.

Foi nesse contexto que surgiu a possibilidade de uma apresentação especial reunindo integrantes e ex-integrantes do Whitesnake. A ideia original, segundo Dino, era simples: um único show.

Tommy Aldridge havia aceitado participar. Marco Mendoza também estava envolvido, assim como Michele Luppi, Joel Hoekstra e o guitarrista Ivan Keller. Dino também concordou com a ideia, desde que Aldridge estivesse confirmado.

“Se Tommy estiver dentro, eu faço”, teria sido, em essência, a posição de Jelusick.

O problema veio depois.

De um show especial a um “novo projeto”

Os músicos viajaram para Belgrado, na Sérvia, para uma coletiva de imprensa relacionada ao festival Guitar Festival, onde a apresentação seria anunciada.

Foi durante essa coletiva que a situação teria tomado um rumo completamente diferente.

Segundo Dino, Marco Mendoza apresentou a ideia como Whitesnake Experience, e a imprensa rapidamente interpretou aquilo como o nascimento de um novo projeto relacionado ao Whitesnake, com Jelusick assumindo os vocais.

A repercussão foi imediata.

Em vez de uma apresentação especial de músicos que haviam passado pelo Whitesnake, começaram a surgir manchetes e comentários sobre uma espécie de continuação da banda — algo que, de acordo com Jelusick, nunca havia sido combinado com David Coverdale.

E então chegou o e-mail.

“Todos nós recebemos um e-mail bem sério”

Dino conta que ele e os demais envolvidos receberam uma comunicação do advogado de Coverdale.

O conteúdo exato da mensagem não foi divulgado, mas o efeito foi imediato: os músicos recuaram e o projeto acabou cancelado.

Jelusick afirma que ficou surpreso com a situação e chegou a questionar Mendoza sobre o que havia acontecido. Segundo ele, o baixista teria tomado algumas decisões sem consultar os demais integrantes.

Dino, então, decidiu falar diretamente com Coverdale.

A resposta do vocalista teria sido tranquilizadora. Coverdale teria dito que sabia que Dino não era responsável pelo problema e que a questão estava relacionada às ações de Mendoza.

Para Jelusick, a situação serviu para deixar uma coisa muito clara: o Whitesnake é de David Coverdale.

E ele não pretende ultrapassar essa linha.

“Não é a minha banda”

A postura de Dino é particularmente interessante porque ele poderia facilmente ter usado sua passagem pelo Whitesnake como argumento para continuar tocando aquelas músicas profissionalmente.

Mas ele afirma que não faria isso sem a autorização explícita de Coverdale.

O assunto voltou a aparecer em janeiro de 2026, quando Dino tocou músicas do Whitesnake ao lado de Marco Mendoza e Doug Aldrich durante a NAMM. A apresentação novamente provocou comentários de fãs sugerindo que os músicos deveriam reformar a banda.

Dino, entretanto, rejeitou a ideia.

Segundo ele, uma eventual continuidade precisaria partir de Coverdale. Sem a autorização do vocalista, não faria sentido para ele.

“Sem a palavra do David (…) eu não vou fazer, porque não é minha banda, afinal de contas.”

Essa postura também combina com declarações anteriores de Jelusick. Em 2023, quando surgiram especulações de que ele poderia ser uma espécie de sucessor de Coverdale, o croata foi bastante direto: Whitesnake é David Coverdale e, se Coverdale decidir encerrar a banda, a banda deveria terminar com ele.

O Whitesnake Experience nunca existiu

Talvez a parte mais curiosa da história seja justamente essa.

Embora o nome tenha circulado pela imprensa e nas redes sociais, o projeto nunca chegou a realizar os shows anunciados.

Dino chegou a contar que encontrou comentários de fãs dizendo que haviam assistido às apresentações do Whitesnake Experience e que ele havia sido seu cantor. A reação do músico foi de surpresa.

Afinal, os shows nunca aconteceram.

“Essa é a história do Whitesnake Experience. Isso nunca aconteceu. Nunca existiu”, afirmou Jelusick.

Joel Hoekstra, que também estava envolvido na ideia original, já havia dado uma explicação semelhante. Em entrevista publicada no início de 2026, o guitarrista afirmou que a intenção era fazer apenas uma apresentação especial, e que a situação ganhou proporções maiores quando a expressão “Whitesnake Experience” começou a ser utilizada como se fosse um projeto permanente.

Para Hoekstra, qualquer iniciativa de longo prazo precisaria necessariamente partir de Coverdale.

A história acabou abrindo outras portas para Dino

A ironia é que a curta experiência de Dino com o Whitesnake acabou sendo apenas mais um capítulo de uma carreira que continuou crescendo depois da banda.

Quando Coverdale cancelou o restante da turnê europeia de 2022 e posteriormente outras apresentações internacionais, Jelusick ficou repentinamente sem os compromissos que ocupariam boa parte de seus próximos dois anos.

Em vez de representar um retrocesso, porém, a situação abriu novas oportunidades.

Dino participou de um show com Johnny Depp, Joe Bonamassa e Zakk Wylde, e pouco depois substituiu Glenn Hughes em apresentações do The Dead Daisies, chegando a aprender 14 músicas em apenas um dia antes de abrir shows para o Judas Priest.

No início de 2023, ele também colocou seu projeto solo Jelusick em primeiro plano.

Hoje, o projeto continua sendo sua principal plataforma autoral, combinando hard rock, heavy metal e elementos progressivos. O site oficial da banda destaca atualmente músicas como “Seasons”, “Healer” e “Reign of Vultures”, além de uma agenda internacional.

A história do Whitesnake Experience, portanto, acabou sendo curta — tão curta que, nas palavras do próprio Dino, nem chegou a existir de verdade.

Mas ela também revela algo importante sobre Jelusick. Apesar de ter sido escolhido pessoalmente por David Coverdale para integrar o Whitesnake e de possuir uma voz capaz de ocupar aquele território clássico do hard rock, o croata não parece interessado em viver permanentemente à sombra do legado de outra banda.

E isso talvez explique por que, depois de passar pelo Whitesnake, pelo Trans-Siberian Orchestra, pelo Dirty Shirley e pelo Whom Gods Destroy, Dino esteja cada vez mais concentrado em construir algo que seja, acima de tudo, seu próprio legado.