Nos últimos dias, uma imagem de Bill Ward em uma cadeira de rodas chamou a atenção dos fãs do Black Sabbath e levantou preocupações sobre o estado de saúde do lendário baterista. Aos 78 anos, Ward decidiu esclarecer pessoalmente a situação e publicou uma mensagem nas redes sociais para explicar por que passou a utilizar a cadeira de rodas em locais públicos. Mais importante do que isso, ele fez questão de deixar um recado direto: não está se aposentando e continua determinado a fazer música.

Segundo o músico, a cadeira de rodas passou a fazer parte de sua rotina principalmente em aeroportos e eventos de grande porte. Bill explicou que ainda consegue caminhar normalmente, mas não por longas distâncias sem precisar parar para descansar. Por isso, decidiu recorrer ao equipamento para preservar sua energia e tornar os deslocamentos mais confortáveis.

Em sua mensagem, o baterista também procurou combater a ideia de que o uso da cadeira de rodas significa necessariamente uma doença grave ou o fim da vida profissional. “Ainda consigo andar, não há dúvida sobre isso, mas não consigo caminhar muito longe sem precisar descansar”, escreveu. Em seguida, reforçou o ponto que mais queria transmitir aos fãs: “Ainda sou baterista.”

Ward revelou que começou a utilizar a cadeira de rodas cerca de um ano e meio atrás, inicialmente apenas em aeroportos. Com o tempo, passou a adotá-la também em outras situações públicas, sempre por uma questão de mobilidade. Segundo ele, a decisão também busca mostrar que pessoas que usam cadeira de rodas continuam levando uma vida ativa e não devem ser definidas apenas por essa condição.

“Completei 78 anos no dia 5 de maio de 2026. Sempre fui um caminhante de longa distância, caminhei por muitas partes diferentes do mundo e ainda sou baterista. Ainda consigo tocar muito bem para um homem de 78 anos. Meus talentos e ambições, e minha necessidade inabalável de ser criativo e de tocar bateria, continuam tão fortes quanto eram há tantos anos. Só quero deixar claro que, se você me vir em uma cadeira de rodas, estou apenas pegando uma carona; não estou aposentado, doente, desistindo ou qualquer um desses pensamentos que nos vêm à mente quando vemos pessoas em cadeiras de rodas”, disse.

A declaração ganha um significado ainda maior por causa do momento vivido pelo universo do Black Sabbath. Em julho de 2025, Bill Ward voltou a dividir o palco com Ozzy Osbourne, Tony Iommi e Geezer Butler no histórico show beneficente Back to the Beginning, realizado em Birmingham. A apresentação marcou a primeira reunião da formação original em duas décadas e acabou se tornando também a despedida definitiva de Ozzy dos palcos. Poucas semanas depois, o vocalista morreu, transformando aquele reencontro em um dos momentos mais emocionantes da história da banda.

Mesmo após esse capítulo histórico, Bill Ward garante que não pretende encerrar sua trajetória artística. Pelo contrário. O músico afirmou que continua escrevendo, gravando e trabalhando em novos projetos, mantendo o entusiasmo que o acompanha desde a fundação do Black Sabbath, em 1968. Em entrevistas recentes, ele já havia revelado que está desenvolvendo novos álbuns solo, reforçando que sua criatividade permanece intacta.

É difícil imaginar a história do heavy metal sem Bill Ward. Seu estilo de tocar, profundamente influenciado pelo jazz e pelo blues, foi um dos elementos que ajudaram a definir a identidade dos primeiros discos do Black Sabbath. Em clássicos como Black Sabbath, Paranoid, Master of Reality e Sabbath Bloody Sabbath, suas viradas e sua abordagem dinâmica da bateria contribuíram para criar uma linguagem que influenciou gerações de músicos, do doom metal ao thrash e ao metal progressivo.

Ao compartilhar sua condição de forma aberta, Bill Ward também deixou uma mensagem de aceitação e naturalidade sobre o envelhecimento. Em vez de esconder as limitações físicas que surgem com a idade, preferiu mostrar que elas não diminuem sua paixão pela música nem sua vontade de continuar criando.

Seu comunicado termina de maneira simbólica, resumindo o espírito de um dos fundadores do heavy metal. Apesar das mudanças impostas pelo tempo, Bill Ward garante que continuará fazendo aquilo que sempre fez de melhor: tocar bateria. Como escreveu aos fãs, ele pretende “continuar fazendo rock até morrer”.