O Black Pantera lança nesta sexta-feira (21) Continental, seu novo álbum de estúdio pela Deck Music. O disco amplia a identidade construída pelo trio mineiro e reúne participações de peso, como Derrick Green, vocalista do Sepultura, Chico César, Duquesa e Sandra Sá.
Desde Ascensão, de 2022, o Black Pantera vem consolidando uma sonoridade que parte do rock pesado, mas não se limita a ele. A banda combina diferentes ritmos, experiências pessoais e um discurso antirracista que se tornou uma das características mais marcantes de sua trajetória.
Em Perpétuo, lançado em 2024, o grupo incorporou influências de ritmos latinos e aprofundou temas relacionados à ancestralidade e à própria história. Agora, Continental amplia essa perspectiva para falar sobre um país enorme, diverso e cheio de contradições.
Um disco sobre os vários Brasis
O título não é por acaso. O novo álbum parte da ideia de um Brasil continental, formado por diferentes culturas, sotaques, histórias e realidades. Chaene da Gama, baixista e vocalista, resume a ambição do projeto ao afirmar que Continental é “o melhor álbum que a gente construiu até hoje”.
O disco também aborda questões contemporâneas e geopolíticas. Uma das principais referências é o professor e geógrafo Milton Santos, homenageado em uma das faixas por meio de um trecho de áudio de um de seus depoimentos.
As músicas passam por temas como polarização política, vida na estrada, racismo, ancestralidade e identidade. Entre elas estão “Start the Game”, “Obsoleto”, “Velho Jeans Rasgado”, “Hórus”, “Negusa Nagast”, “W.P.P.” e “Sic Mundus”.
Participações que atravessam gerações
Um dos destaques de Continental é justamente a variedade de convidados. Sandra Sá participa de “Quando Canto”, faixa dedicada à ancestralidade e ao poder da música como forma de cura.
A rapper Duquesa aparece em “Serotonina”, enquanto Chico César empresta sua voz a “Banzo”, composição que aborda a crítica à ideia de meritocracia.
Já Derrick Green, do Sepultura, participa de “Obsoleto”. A colaboração tem um significado especial para o Black Pantera, que vê o vocalista como uma inspiração e como um dos representantes negros mais importantes da história do metal mundial.
A diversidade dos convidados também reforça o conceito do álbum. Sandra Sá representa uma geração fundamental da música brasileira; Duquesa traz o rap contemporâneo; Chico César acrescenta a tradição nordestina; e Derrick Green conecta o Black Pantera à história do metal internacional.
Rock pesado sem fronteiras
Com Chaene da Gama, Charles Gama e Rodrigo “Pancho”, o Black Pantera continua expandindo os limites do próprio som. A banda mantém o peso do rock como base, mas permite que diferentes referências entrem naturalmente nas composições.
O resultado é um disco que procura falar sobre o Brasil sem reduzi-lo a uma única identidade. Como explica Chaene, são “vários gêneros, vários Brasis”.
Continental foi produzido por Rafael Ramos, gravado no Estúdio Tambor, no Rio de Janeiro, mixado por Leo Ramos e masterizado por Fernando Delgado. A exceção é “Hórus”, que recebeu masterização de Chris Gehringer, no Sterling Sound.
Depois de Ascensão e Perpétuo, o Black Pantera chega a um novo capítulo de sua carreira com um álbum que amplia tanto sua sonoridade quanto seu discurso. Continental é, acima de tudo, uma tentativa de transformar em música a dimensão de um país — e de uma banda — que continuam crescendo muito além de suas fronteiras.