Bruce Dickinson lançou o videoclipe de “Change of Heart”, faixa que ganhou uma nova versão em More Balls to Picasso, projeto que revisita seu segundo álbum solo, Balls to Picasso. O vídeo foi gravado em São Paulo, em setembro de 2025, e utiliza uma narrativa para abordar a indiferença diante do sofrimento e a dificuldade de enxergar aquilo que acontece ao nosso redor.


Dirigido por Leo Liberti e Antoine de Montremy, o clipe mostra Dickinson interpretando a música em um espaço abandonado no centro de São Paulo, acompanhado pelo guitarrista Philip Näslund. A performance é intercalada por cenas com pessoas de diferentes origens e contextos culturais, colocadas diante de situações que representam conflitos e problemas da vida contemporânea.


O contraste entre o que acontece nas cenas e a reação dos personagens é justamente o ponto central do vídeo. Enquanto situações de sofrimento acontecem ao redor, as pessoas permanecem indiferentes, criando uma representação de uma sociedade desconectada e cada vez menos capaz de perceber a dor que existe diante de seus próprios olhos.


Um dos elementos mais simbólicos do videoclipe é a presença de um menino que aparece carregando uma reprodução de The Good and Evil Angels, obra do poeta e artista inglês William Blake.


O personagem não interfere nas situações apresentadas nem demonstra julgamento. Ele simplesmente observa. Para Dickinson, essa escolha representa uma consciência que ainda consegue enxergar aquilo que os adultos aprenderam a ignorar.


A relação com Blake não é casual. O artista dedicou parte importante de sua obra a temas como inocência e experiência, liberdade e escravidão espiritual, consciência e alienação — assuntos que também aparecem de diferentes formas no trabalho de Dickinson.


O vocalista explicou que a ideia surgiu durante as filmagens do videoclipe de “Tears of the Dragon”, também realizadas no Brasil.


“Essa canção sempre foi muito especial para mim e, com o maravilhoso novo arranjo presente no álbum More Balls to Picasso, sua mensagem e seu poder parecem ainda mais intensificados.”


Dickinson também explicou que a presença do menino com a obra de Blake foi uma escolha deliberada. Segundo o cantor, a criança representa uma espécie de “consciência primordial”, capaz de perceber aquilo que os adultos foram condicionados a ignorar.