São Paulo tem uma longa história com o rock e o heavy metal. A cidade já recebeu shows históricos, gravações de DVDs e até álbuns ao vivo. Agora, a capital paulista ganhou mais um capítulo nessa relação especial com a música pesada: a Mooca serviu de cenário para o novo videoclipe de Bruce Dickinson.
O vocalista do Iron Maiden escolheu um dos espaços mais emblemáticos do bairro para filmar a nova versão de “Tears of the Dragon”, clássico originalmente lançado em 1994 no álbum Balls to Picasso. O resultado é um vídeo de atmosfera cinematográfica que transforma um dos mais importantes patrimônios industriais de São Paulo em personagem da produção.
A antiga fábrica da Antárctica virou cenário de Bruce Dickinson
As gravações aconteceram no complexo da antiga fábrica da Companhia Antárctica Paulista, localizado na Mooca.
Construído ao longo do século XX, o espaço é um dos marcos da industrialização paulistana e permanece como um dos símbolos arquitetônicos mais conhecidos da região. Seus galpões, estruturas metálicas, paredes de tijolos aparentes e amplos espaços internos criam uma estética que mistura história, decadência e grandiosidade.
Foi justamente essa atmosfera que chamou a atenção da equipe responsável pelo videoclipe.
O local foi transformado em um grande set de filmagem para receber Bruce Dickinson, sua House Band of Hell e a Orquestra Almai, responsável pelos arranjos sinfônicos da nova versão da música.
Por que “Tears of the Dragon” ganhou um novo clipe?
A gravação faz parte da divulgação de More Balls To Picasso, releitura expandida e remixada do álbum lançado originalmente por Bruce Dickinson em 1994.
Entre as novidades do projeto está uma nova versão orquestral de “Tears of the Dragon”, considerada uma das músicas mais importantes da carreira solo do cantor. A faixa ganhou novos arranjos assinados por Antonio Teoli e recebeu um videoclipe completamente inédito.
A direção ficou por conta do brasileiro Leo Liberti, profissional que já trabalhou anteriormente com Bruce Dickinson em registros ao vivo realizados no Brasil. O projeto também contou com a colaboração do cineasta francês Antoine de Montremy.
Um clipe premiado internacionalmente
Antes mesmo de chegar ao público, o vídeo começou a chamar atenção em festivais internacionais de cinema.
Segundo veículos especializados, a produção conquistou diversos prêmios e indicações, reforçando a ambição cinematográfica do projeto. O vídeo combina a performance musical de Bruce Dickinson com elementos visuais inspirados em dança contemporânea, tendo a bailarina brasileira Renata Bardazi em papel de destaque.
O contraste entre a delicadeza da coreografia e o ambiente industrial da antiga Antárctica ajuda a criar uma estética única, muito diferente dos videoclipes tradicionais do universo do heavy metal.
A Mooca também faz parte da história do rock
A escolha do bairro não aconteceu por acaso.
A Mooca é um dos locais mais tradicionais de São Paulo e preserva parte importante da memória industrial da cidade. Nos últimos anos, galpões, fábricas desativadas e edifícios históricos da região passaram a atrair produções audiovisuais justamente por oferecerem cenários que dificilmente poderiam ser reproduzidos em estúdios convencionais.
Agora, graças a Bruce Dickinson, o bairro passa a integrar também a história visual do heavy metal mundial.
Para os fãs brasileiros, existe um charme adicional em saber que uma das músicas mais importantes da carreira solo do vocalista do Iron Maiden ganhou uma nova interpretação tendo São Paulo como pano de fundo.
Veja o making of do novo clipe:
Uma ligação antiga entre Bruce Dickinson e o Brasil
A gravação do clipe reforça uma relação que já dura décadas.
Bruce Dickinson sempre demonstrou enorme carinho pelo público brasileiro. Além das inúmeras turnês com o Iron Maiden, o cantor também escreveu capítulos importantes de sua carreira solo no país. Um dos exemplos mais conhecidos é o álbum ao vivo Scream for Me Brazil, gravado em São Paulo em 1999.
Mais de 25 anos depois, o músico voltou a escolher a capital paulista para registrar um momento importante de sua trajetória.
Desta vez, não diante de milhares de fãs em uma arena lotada, mas dentro de um dos cenários mais icônicos da Mooca, transformando a antiga fábrica da Antárctica em palco para uma nova versão de um de seus maiores clássicos.