O vocalista Dani Filth falou pela primeira vez de forma mais detalhada sobre a disputa judicial envolvendo antigos integrantes do Cradle of Filth. Em entrevista concedida à revista australiana Hot Metal, repercutida pelo Blabbermouth, o músico afirmou que ele e a banda não cometeram qualquer irregularidade e classificou toda a polêmica como algo que foi “desproporcional”.
A controvérsia começou em 2025, quando a tecladista Zoë Marie Federoff e o guitarrista Marek “Ashok” Šmerda deixaram a banda em meio a críticas públicas sobre as condições de trabalho. Na época, os músicos alegaram baixa remuneração, contratos abusivos e um ambiente profissional que consideravam inadequado. Meses depois, eles ingressaram na Justiça contra Dani Filth e a empresa responsável pela administração do Cradle of Filth. Posteriormente, outros ex-integrantes também aderiram ao processo, ampliando o alcance das acusações.
Questionado sobre o caso durante a entrevista à Hot Metal, Dani minimizou o impacto da situação e afirmou que a banda preferiu seguir trabalhando normalmente.
“Nós simplesmente ignoramos isso. Como pessoas, como banda e como eu, não fizemos absolutamente nada de errado. Tudo foi exagerado.”
Segundo o vocalista, a prioridade sempre foi manter o foco na música. Ele destacou que, enquanto a discussão acontecia nos bastidores, o Cradle of Filth continuou realizando turnês, participando de festivais e promovendo seu trabalho mais recente.
“Nós fizemos uma turnê pelos Estados Unidos, tocamos em festivais de verão e estamos funcionando a todo vapor. O Cradle voltou. Na verdade, ele nunca foi embora”, declarou.
Dani também aproveitou a entrevista para comentar as frequentes mudanças de formação que marcaram a história do grupo desde sua fundação, em 1991. O Cradle of Filth é conhecido por ter passado por diversas reformulações ao longo das décadas, sempre mantendo Dani Filth como único integrante original.
Para o vocalista, esse tipo de renovação é natural em qualquer organização.
“As pessoas dizem: ‘Vocês estão com uma nova formação’. Mas a pergunta é: você quer um show ou não? As bandas evoluem. Ninguém reclama quando alguém deixa um escritório, uma gravadora, um programa de rádio ou uma revista. Nós simplesmente evoluímos e seguimos em frente”, afirmou.
O processo movido pelos ex-integrantes inclui alegações de royalties não pagos, uso não autorizado da imagem dos músicos em produtos oficiais e falta de remuneração por trabalhos realizados em álbuns e videoclipes. Os autores da ação também afirmam que algumas contribuições criativas foram utilizadas sem autorização ou compensação financeira. Até o momento, o caso continua em tramitação e ainda não houve uma decisão judicial sobre as acusações.
Enquanto isso, o Cradle of Filth vive um momento de intensa atividade. Em março deste ano, a banda lançou The Screaming of the Valkyries, álbum que recebeu críticas positivas e marcou o início de uma nova fase criativa. Dani Filth já revelou, inclusive, que o sucessor do disco está em desenvolvimento e promete ser ainda mais pesado, indicando que o grupo pretende manter o ritmo de lançamentos apesar das disputas nos bastidores.
As declarações à Hot Metal representam a defesa mais direta feita por Dani Filth desde o início da controvérsia. Embora o processo ainda esteja longe de uma conclusão, o vocalista deixa claro que, em sua visão, a banda agiu corretamente durante todo o episódio e que as mudanças de formação fazem parte da própria história do Cradle of Filth. Para ele, o foco permanece onde sempre esteve: continuar levando a banda adiante e produzindo música para os fãs.